A vida é uma grande pregadora de peças, e por mais que tenhamos passado por coisas inimagináveis em nossas vidas, nunca estamos totalmente preparados para mais uma dessas brincadeirinhas irônicas.
O pior de tudo isso, quando já passamos por mals bocados, é ter uma idéia do que nos espera. Isso me dá muito medo!! E talvez seja por esse medo que o sono desaparece sem ter hora para voltar, assim como a fome ou a vontade de continuar simplesmente. Sei que não é certo pensarmos o que estamos fazendo aqui ou mesmo questionar tudo que nos é colocado a frente, mas está difícil no momento encarar tudo isso como mais um obstáculo a ser superado, para depois ficar mais fortalecida, mais convicta, ou quem sabe até uma pessoa melhor. As vezes penso que eu devo ter sido muito ruim na minha vida passada, se é que ela existiu.
No momento eu não queria ter que passar por mais nada para me tornar uma pessoa melhor, eu apenas queria ter paz, uma vida normal, com problemas as vezes, mas coisas cotidianas, e não algo que nos tire de nosso rumo, e nos faça dar um giro de 360° em torno de nós mesmos.
Pode parecer pessimismo da minha parte, mas toda vez que eu acho que as coisas vão se acertar e eu vou conseguir acordar todos os dias com um bom motivo para encarar o trânsito de São Paulo ou as cobranças no trabalho, de uma maneira mais amena por saber que está tudo bem, e eu não tenho motivo maior para me aborrecer, passa uma ventania por mim, e da mesma maneira que me trouxe rosas, as leva embora deixando apenas os espinhos ferindo minhas mãos. E não me refiro às rosas como sendo uma pessoa ou algo do tipo, pois nem quando se consegue conquistar a paz interior, e que trabalho isso nos dá, nós conseguimos mantê-la por tempo suficiente, pois ou nos aparece algo na vida que enganosamente parece acrescentar mais paz ao nosso dia-a-dia, a primeira vista, ou simplesmente nós mesmos esquecemos o quanto a conquista dessa paz demorou e a deixamos partir da mesma maneira que uma tempestade de verão vem e se vai. Mas assim como essa tempestade, nem sempre as consequências são as melhores, muitas vezes essas demoram anos para terem fim ou ao menos ficarem guardadas no fundo do baú.
No momento da dor, da perda, ou da perda de nós mesmos por algum motivo, o mais difícil é manter a calma e seguir novamente aquele receita, passo a passo, dia após dia, pacientemente para nos encontrarmos e seguirmos em frente sem termos que olhar para trás ou nos arrependermos de algo. Inevitavelmente me vem à mente a pergunta que não se cala: até quando?
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